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1. DESENHADOR DE ILUMINAÇÃO
O que é um lighting designer ou desenhador de iluminação?
Um desenhador de iluminação idealiza um ambiente através do seu
entendimento sobre a integração da luz e do espaço. Tem como
função combinar criatividade com conhecimentos técnicos. Um
desenho de qualidade resulta muitas vezes da experiência
adquirida ao longo dos anos. Para o conseguir, o desenhador de
iluminação profissional deverá ter em atenção:
- Avaliar necessidades e funções.
- Estabelecer critérios de iluminação.
- Pesquisar e especificar tipos de equipamentos.
- Documentar soluções de iluminação.
Quando se contrata um desenhador de iluminação profissional, as
vantagens vão muito além das necessidades básicas de alugar um
especialista para desenhar a iluminação. Este deve conhecer a
conduta do estatuto da profissão de desenhar iluminação e
trabalhar para proporcionar um serviço completo para interior,
exterior e aplicações com luz de dia. Além de especificar os
equipamentos de iluminação, a sua localização e controlo, o
desenhador de iluminação acrescenta uma dimensão de criatividade
a todos os projectos.
Um desenhador de iluminação de arquitectura define os objectivos
específicos conforme o cliente. Trabalha com arquitectos,
desenhadores de interior e engenheiros como membros da equipa de
desenho, ou directamente com o cliente. Pode ser-lhe pedido para
iluminar um edifício de forma agradável para o Natal, ou por
outro lado, de forma agressiva e extravagante para atrair a
atenção do público para determinada marca ou produto. Desenhos
de iluminação de qualidade, executados por um desenhador de
iluminação profissional facilitam todo o projecto de
arquitectura, tanto para interior como para exterior.
Os profissionais demonstram as suas habilitações e experiência
através de um portfólio, devotam o seu talento profissional à
prática de iluminações arquitectónicas e são consultores
independentes dos fabricantes, vendedores ou utilizadores, para
garantir a importância da selecção dos equipamentos.
Outra grande vertente desta área é o desenho de iluminação de
conferências ou exposições. Numa conferência, além dos oradores,
pode haver ecrãs e outros elementos de iluminação complexa.
Isto sem referir o tema da própria conferência, que pode dar
origem a uma iluminação temática. Um desenhador de iluminação
que se especialize em exposições tem todo um conjunto de
equipamentos de grande precisão ao seu alcance. Uma exposição de
arte pode ser extremamente complexa de iluminar, se for inserida
num ambiente de época ou num determinado tema. Por outro lado,
as condições da sala onde se efectua a exposição podem não ser
as mais propícias para a colocação do material de iluminação,
dificultando assim a tarefa.
Alugar um desenhador de iluminação no início de um projecto de
iluminação permite ganhar conhecimentos profissionais logo na
formatação. Isso irá evitar, mais tarde, custos por erros. Os
vastos conhecimentos dos desenhadores de iluminação em
equipamentos de iluminação e sistemas tornam-nos capazes de
integrar a iluminação no espaço.
Em teatro, quer seja uma representação ligeira quer seja uma
obra clássica, um bem delineado desenho de iluminação é
importantíssimo. Um caso extremo são as óperas em que o
desenhador de iluminação trabalha directamente com o encenador,
seguindo as ideias deste mas acrescentando um lado técnico e
criativo, de modo a atingir o objectivo que lhe é transmitido. A
execução dos vários actos tem de estar relacionada e
equilibrada, sem fugir ao contexto de concepção global. Efeitos
em sequência, temporizados ou à deixa, proporcionam a esta
função uma criatividade infinita. Outra área onde a iluminação é
bastante específica, com conceitos próprios, é a dos bailados.
Isto quer sejam ballets clássicos ou as grandes produções
musicais da Broadway e de West End, onde os espectáculos estão
em cena por vários anos, sempre com grande sucesso.
Num espectáculo ao vivo a componente criativa ganha ainda mais
importância. No caso de um concerto rock, em que a
quantidade de Watts envolvida é sempre um cartão de visita, um
desenho de iluminação é fundamental. O desenhador de iluminação,
em conjunto com toda a equipa de iluminação, não podem, nem por
um momento, perder o controlo de nenhuma luz no palco. O
público-alvo determina grandemente a iluminação. Aqui também os
efeitos de sequência são parte integrante do espectáculo sendo
executados manualmente no momento, pelo iluminador à música.
Os grupos que procedem a mega concertos, utilizam nas suas
tournées por esse mundo fora uma quantidade incrível de
equipamentos. Quem não se lembra dos concertos, em Lisboa, dos
Rolling Stones, Dire Straits, David Bowie, com enormes
quantidades de material para os vários efeitos. Mais tarde
vieram, com novos e revolucionários equipamentos, Pink Floyd,
U2, Prince, etc.
O cinema é uma outra arte, a sétima como lhe chamam. Aqui o
desenho de iluminação pertence ao director de fotografia.
O director de fotografia é, em primeiro lugar, o responsável,
pela escolha da película que influencia todo o filme. Depois, e
em conjunto com o realizador, definem as tomadas de vista. Mais
uma vez é da responsabilidade do director de fotografia a
escolha das diferentes objectivas e filtros para a câmara.
O director de fotografia é que decide a que horas se realizam as
rodagens, no caso de cenas em exterior, pois a luz da rua varia
com a hora do dia a que se filma. Define os enquadramentos e a
profundidade de campo. Em conjunto com o chefe electricista
montam, ajustam e afinam toda a iluminação necessária para cada
take.
1.1. ILUMINAÇÃO PARA TELEVISÃO
Em vídeo estamos a iluminar as pessoas ou os objectos para serem
captados por máquinas electrónicas. Todos nós sabemos que as
câmaras de vídeo precisam de um determinado nível de luz para
poderem captar uma imagem com um mínimo de qualidade. Assim, no
desenho de iluminação temos uma primeira condicionante que não
existia em espectáculos para o público.
Para se conseguirem imagens de televisão suficientemente
persuasivas e capazes de reter a atenção do espectador, há que
iluminar de forma especial todos os elementos que integram a
envolvente cénica. Tal iluminação terá de ser realizada de forma
sistemática, tendo em conta a sensibilidade das câmaras. Se
deixada ao acaso, a iluminação não confere à imagem o necessário
poder de impacto sobre o espectador e este, só por sorte, verá
correctamente o programa e apreenderá o seu significado.
Tendo em vista os objectivos e intenções da maioria dos
programas, deixar a leitura da imagem ao acaso da sorte não é
processo satisfatório. Iluminar é uma engenhosa mistura de
sensibilidade artística e de conhecimentos técnico-práticos,
requerendo estudo e experiência. Outra variante é a de que num
espectáculo, seja ele em interior ou exterior, a frente de
público normalmente é só uma. Em televisão usa-se o sistema
multicâmara. Nele encontramos as câmaras dispostas em vários
ângulos, que podem mesmo fazer 360º, em alguns casos. O desenho
de iluminação tem de contemplar tomadas de vista de diferentes
ângulos em simultâneo. Temos também de levar em conta as
características técnicas da luz, contraste e temperatura de
cor.
A direcção da luz tem muita influência na aparência de um
objecto. Se a luz vier da direcção da câmara (luz frontal), a
textura e o relevo da superfície ficam pouco evidentes.
A luz lateral exagera a textura e os relevos da superfície,
criando muitas vezes um efeito rugoso e dividindo a imagem em
duas. A luz que vem da direcção oposta à câmara (luz de trás)
cria no objecto uma margem envolvente que descobre toda a sua
transparência e o separa do fundo. Quer mude uma luz em relação
ao ponto de vista da câmara quer a sua posição em relação à luz,
o efeito na imagem será o mesmo. A qualidade da cor afecta a
fidelidade da imagem. Uma luz amarelo-alaranjada, como a das
velas (baixa temperatura de cor), encontra-se no ponto mais
baixo da escala de Kelvin. Por outro lado a luz de dia azulada
(alta temperatura de cor) está no ponto mais alto. Se o balanço
de cor da câmara (as proporções vermelho/ verde/azul) não
estiver ajustado à luz geral a imagem fica com a cor falseada. O
balanço de brancos (ver glossário) corrige o defeito mas não é
suficiente para compensar uma mistura de vários tipos de luz
(dia, fluorescente, incandescente). Assim o desenhador de
iluminação de televisão, além do desenho de luzes, em conjunto
com o electricista, monta e alinha todos os projectores, escolhe
os vários filtros e programa a mesa de luzes. Durante o
programa, em directo ou gravado, é o desenhador de iluminação
que opera a mesa escolhendo os efeitos previamente gravados,
dando assim o ambiente e o ritmo necessários a um bom produto
final. Salvaguardando alguns programas específicos e complexos
em que o desenhador de iluminação tem de recorrer a um operador
para programar a consola e correr os vários efeitos durante o
programa.
Um desenhador de iluminação pode frequentemente reduzir o custo
de um projecto por ser capaz de:
- Seleccionar a solução de iluminação mais apropriada para cada
situação.
- Conhecer o orçamento do programa.
- Avaliar alternativas ao sistema de iluminação.
- Posicionar projectores só onde é preciso ou ter alternativas
válidas.
- Usar soluções de energia eficientes.
- Acrescentar conhecimentos, nomeadamente conselhos de
manutenção.
- Assistir durante o processo de montagem à instalação do
equipamento.
- Evitar erros no desenho de luz cuja correcção posterior possa
ser muito cara.
1.2. PLANIFICAÇÃO DE ILUMINAÇÃO
Em produção, a organização e a planificação ajudam bastante a
obter uma iluminação perfeita. O primeiro passo é reunir toda a
informação necessária, para depois trabalhar esses dados em
conjunto. Estas informações vêm normalmente da parte do
realizador e produtor, que em conjunto com a cenografia e o
espaço, imaginam um determinado ambiente.
A questão fundamental é saber se é um trabalho em exterior ou em
interior. Em estúdio, o director de iluminação tem controlo
sobre todas as luzes, em exterior, há que ter em conta a luz
ambiente existente. Em função do local e do tipo de programa, o
director de iluminação tem de escolher os equipamentos mais
adequados.
Se o programa for num estúdio, estes normalmente já estão
equipados com os vários tipos de projectores e um sistema de
controlo. Mesmo assim, dependendo do tipo de programa, às vezes
é necessário alugar equipamento extra para complementar o que já
existe, ou simplesmente acessórios específicos, conforme a
produção. Em exterior há que calcular a energia disponível, se é
suficiente para alimentar a quantidade de projectores do plano
de iluminação. Caso não seja, o electricista pode recorrer a um
reforço da potência ou ao aluguer de um grupo gerador.
Em último caso, pode o director de iluminação reduzir a
quantidade ou o tipo de projectores, normalmente com influência
no resultado. Aí há que combinar com o realizador os planos a
captar em função das limitações.
Outro factor importante são as condições atmosféricas. Um céu
nublado produz luz difusa azulada. Um sol brilhante produz
grande contraste e sombras muito duras. À noite temos de ter em
atenção a luz artificial existente, pois vai influenciar toda a
cena. Ao longo do dia a luz do sol vai variando de Este para
Oeste, outro factor importante a considerar. Exterior não
significa ser na rua, pode ser um interior fora do estúdio.
Neste caso a cena é influenciada pela presença de portas e
janelas, assim como de todas as luzes existentes na cena. A área
da cena e a dimensão dos planos influenciam o tipo e a
quantidade de projectores a usar, no desenho de iluminação.
Aqui também o orçamento para iluminação influencia o produto
final. Uma boa planificação da produção juntamente com o
director de iluminação pode trazer uma substancial poupança,
dado poder usar-se o mesmo material para mais do que uma cena. O
número de actores e figurantes intervenientes também influencia
a iluminação, dado que cada actor tem que estar correctamente
iluminado em cada plano. Se os actores tiverem muitas
movimentações na acção os problemas aumentam. O tipo de captação
de som e o uso de gruas pode limitar a iluminação. Em paralelo
com todos estes factores, o tempo de montagem e ajuste da
iluminação determina a quantidade e aproveitamento do
equipamento.
As características técnicas da câmara e o tipo de programa são a
base deste estudo. Claro que programas de informação, drama ou
musicais têm necessidades completamente diferentes. O processo
de iluminar difere para cada programa e difere também segundo
cada director de iluminação.
A criatividade de cada director de iluminação é aqui posta à
prova para planificar e resolver problemas. O início é uma
planta do espaço com a implantação cenográfica. As luzes de cena
têm de estar bem assinaladas. Cada projector tem de ser
representado por um símbolo próprio. Na planta existe ainda
informação sobre o canal a que cada projector está ligado e se
tem alguma cor ou efeito. |